Segundo levantamento feito pela Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE) a grande maioria dos compradores do Polo de Confecções adquire os produtos dos Centros de Compras analisados para consumo próprio ou da família (72,6%). Essa proporção é mais elevada no Polo Caruaru, onde 95,3% dos compradores adquirem os produtos para consumir. O mesmo acontece com os compradores do Parque das Feiras em Toritama, com 83,6% das pessoas procurando esse Centro de Compras para atender principalmente ao próprio consumo.
Já entre os compradores do Moda Center, em Santa Cruz do Capibaribe, a revenda é a principal finalidade de se deslocarem até o Centro de Compras. Ao todo, 55,8% desses compradores pretendem revender mercadorias adquiridas no local, enquanto 44,2% desejam realizar compras para consumo próprio.
Quando a finalidade das compras é o consumo, verifica-se que a maior proporção de pessoas que pretendem adquirir mercadorias com esse objetivo encontra-se nas classes D e E (77,5%) . Na classe C as pessoas que compram para consumir representam 73,2%, reduzindo-se para 55,4% nas classes A e B. No Polo Caruaru a parcela de compradores nos estratos D e E que adquirem produtos para o consumo é de 97,6%, proporção que é de 94,8% nas classes A e B e de 92,2% na classe C. No Parque das Feiras a parcela de compradores voltada para o consumo próprio é de 92,8% nas classes D e E, enquanto nas classes A e B representa 60,0% e na classe C é de 8 em cada 10 pessoas.
O valor médio que os compradores pretendem gastar com a aquisição de mercadorias nos Centros de Compras do Polo de Confecções corresponde a R$ 1.988,00, valor que para as pessoas que têm a finalidade de revender os produtos, foi estimado em R$ 6.031,00, o que representa uma quantia 13,1 vezes superior ao gasto médio das compras destinadas ao consumo próprio, previsto em R$ 459,00.
O gasto médio estimado por comprador do Moda Center em Santa Cruz do Capibaribe é da ordem de aproximadamente R$ 4,2 mil e diretamente estimulado pelas compras dos revendedores, cujo gasto médio é de cerca de R$ 7,2 mil por comprador nesta categoria, importância 2,7 vezes maior do que a prevista para as aquisições dos produtos dos revendedores do Parque das Feiras em Toritama (equivalente a R$ 2.630,00) e 4,5 vezes superior às compras estimadas pelos revendedores do Polo Caruaru (correspondentes a R$ 1.594,00).Observa-se que o perfil de compras observado no Polo de Confecções do Agreste tem relação direta com o gasto médio esperado no Moda Center, dado o vultoso gasto médio por revendedor nesse Centro de Compras, que é 17,4 vezes maior que o gasto médio por comprador para o próprio consumo nesse local.
PAGAMENTO – Em relação à forma de pagamento com que os compradores do Polo de Confecções deverão adquirir as mercadorias observa-se que aproximadamente 85,6% pretendem pagar as compras à vista (em dinheiro ou através de débito em conta). Em todos os Centros de Compras pesquisados os compradores têm o pagamento à vista como principal forma de pagar suas compras.A proporção de pessoas que opta por essas modalidade de pagamento é mais considerável no Moda Center (92,7% dos entrevistados apontam) nessa direção, exatamente onde é maior a parcela de pessoas que compram para revender.
No Parque das Feiras o percentual de compradores que optaram por essa forma de pagamento se reduz um pouco (86,8%) embora ainda permaneça em patamar superior ao da média do Polo de Confecções, verificando-se um crescimento na parcela de pessoas que compram através de cartão de crédito. Os pagamentos a prazo, que, por sua vez, incluem o cartão de crédito e o cheque pré-datado, representam 22,1% das formas utilizadas nas compras do Polo Caruaru.
A estimativa média de gastos com as compras segundo a forma de pagamento indica que o valor maior corresponde às pessoas que efetuarão seus pagamentos à vista (R$ 2.072,00 em média), quantia 2,3 vezes superior ao valor médio das compras realizadas através de cartão de crédito.
Os pagamentos à vista em dinheiro e a prazo através de cartão de crédito tanto no Polo Caruaru quanto no Parque das Feiras indicam um valor médio de compras aproximado entre as duas modalidades, equivalentes no primeiro caso a R$ 479,00 e R$ 416,00 respectivamente, e no segundo a R$ 886,00 e R$ 831,00.
O maior volume de gastos é verificado no Moda Center, com um valor superior nas compras em dinheiro (R$ 4.083,00), correspondente a 4,6 vezes maior do que a média das compras à vista no Parque das Feiras e 8,5 vezes acima do montante das compras nessa modalidade no Polo Caruaru. A média das compras pagas através do cartão de crédito no Moda Center equivale a R$ 3.225,00, superior 3,9 vezes ao valor dos produtos adquiridos por essa forma no Centro de Compras de Toritama e a 7,8 vezes o valor médio das compras no Polo Caruaru
“Preço atrativo e a qualidade do produto são os principais atrativos”
Considerando os motivos que levam as pessoas a fazerem suas compras nos Centros de Compras do Polo de Confecções verifica-se que a grande maioria dos compradores (85,5%) considera que o preço dos produtos é o maior atrativo desses locais de compras. Essa proporção atinge 89,0% dos compradores do Parque das Feiras, chegando a 84,4% no Polo Caruaru e reduzindo-se para 83,2% no Moda Center.
É também representativa a parcela de pessoas que é atraída pela qualidade do produto (44,0% dos entrevistados), proporção que no Polo Caruaru chega a 53,7%, no Parque das Feiras é de 48,1% e no Moda Center de 30,1%.A facilidade de pagamento também tem um peso razoável na opção das pessoas de procurar realizar suas compras nos Centros de Compras do Polo de Confecções (28,7% das respostas), motivo que é ressaltado com alguma significância pelos compradores do Polo Caruaru (39,8%), apontado por 23,9% das pessoas do Parque das Feiras e por 22,3% no Moda Center.
Também citado como uma das razões que atraem os compradores ao Polo de Confecções os entrevistados sugeriram os descontos oferecidos pelos vendedores ou fornecedores (22,4% das indicações), motivo mencionado por aproximadamente ¼ das pessoas que compram no Moda Center (25,8%), por 24,5% dos compradores do Polo Caruaru e 17,0% no Parque das Feiras.
Considerando os motivos que levam os revendedores a fazerem compras no Polo de Confecções, pouco mais da metade dos compradores (53,4%) freqüentam os Centros de Compras para repor mercadorias enquanto pouco mais de ¼ (26,9%) o fazem para atender encomendas. É bem menor a proporção de compradores que adquirem as mercadorias para estocar (10,3%) enquanto 8,3% freqüentam o Polo de Confecções para conferir os lançamentos.
FINAL DE ANO – Consultados a respeito das expectativas de vendas para o fim de ano de 2013 em comparação com o mesmo período de 2012, a maioria dos compradores dos Centros de Compras do Polo de Confecções que adquirem os produtos para revender foi otimista na previsão das vendas do final do ano de 2013. Quase 4/5 dos entrevistados (79,2%) acham que as vendas desse ano superarão as do ano passado, enquanto 16,2% acreditam que o faturamento do final do ano de 2013 será igual ao obtido no mesmo período do ano passado. É diminuta a proporção de pessoas que sugerem haver retração nas vendas (4,6%).
Analisando-se a expectativa de vendas por Centro de Compras, observa-se que no Polo Caruaru os compradores que revendem os produtos adquiridos demonstraram cautela em prever as vendas do seu negócio. Daí pouco mais da metade dos entrevistados incluídos nessa categoria acreditarem que o faturamento do final do ano de 2013 será igual ao faturamento obtido no mesmo período do ano passado (53,3%). Um dos motivos que pode ter levado a essa previsão é a indefinição de questões como a valorização do dólar, que induz queda na confiança do empresário do comércio, reforçando o clima de desconfiança com relação à economia, inclusive com o recrudescimento da inflação que mina o poder de compra da população. Ainda assim, observa-se que 1/3 dos revendedores entrevistados esperam que as vendas no final desse ano sejam maiores que as efetuadas no fim de ano 2012.
Quanto aos revendedores do Parque das Feiras, a expectativa de 67,3% das pessoas entrevistadas nessa categoria de compradores é de que o faturamento no fim do ano de 2013 seja maior do que o das vendas no fim do ano 2012. Outros 26,9% dos revendedores esperam manter o desempenho apresentado no fim do ano de 2012 e apenas 5,8% indicam retração das vendas no fim deste ano em relação ao período no ano anterior.
Por sua vez, os revendedores do Moda Center se mostraram bastante otimistas, visto que 85,3% dos entrevistados esperam aumento nas vendas do fim de ano em 2013 em relação ao desempenho ocorrido no fim de ano 2012. Outros 11,1% presumem manter o nível de vendas do fim do ano anterior, enquanto apenas 3,7% acreditam que o desempenho das vendas no fim deste ano será menor que o mesmo período do ano passado.
ASPECTOS METOGOLÓGICOS – A pesquisa de campo nos Centros de Compras do Polo de Confecções, executada pelo Instituto Fecomercio-PE através do Centro de Pesquisa (Cepesq), em convênio com o Sebrae-PE, realizou-se em duas etapas: no período de 9 a 13 de setembro foram feitas as entrevistas no Polo Caruaru e no Parque das Feiras em Toritama, sendo pesquisados no primeiro caso 339 compradores e no segundo 318. O estudo no Moda Center, em Santa Cruz do Capibaribe ocorreu nos dias 21 a 23 de setembro, sendo consultados 399 compradores nesse Centro de Compras. Nos três Centros de Compras foram entrevistados 1056 compradores.
Do total dos entrevistados, pouco mais de 2/3 corresponde a pessoas originárias de Pernambuco, das quais 35,0% habitam em municípios da Mesorregião do Agreste, a maioria de municípios das microrregiões do Vale do Ipojuca (da qual faz parte o município de Caruaru) e do Alto Capibaribe (que engloba dentre outros os municípios de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe), enquanto 33,3% vêm de municípios de outras regiões do estado. Provenientes de outros estados nordestinos se observa uma proporção de 19,0% das pessoas pesquisadas, enquanto 11,3% originam-se de outras regiões do país, merecendo o registro de que 1,3% das pessoas não informaram o estado de origem.
Entre os compradores do Polo Caruaru nove entre dez pessoas são originárias de Pernambuco, das quais 46,9% habitam em municípios da Mesorregião do Agreste Pernambucano. Por sua vez os compradores pernambucanos do Parque das Feiras representam praticamente 3/5 das pessoas que adquirem mercadorias nesse Centro de Compras. Já a maioria dos compradores do Moda Center vêm de fora do estado (55,1%), em maior proporção provenientes da Região Nordeste (28,8%) enquanto 26,3% originam-se de outras regiões do País. Os consumidores pernambucanos que procuram esse Centro de Compras correspondem a 44,7%, dos quais 22,6% são da Mesorregião do Agreste.
Mais da metade dos compradores dos Centros de Compras do Polo de Confecções encontrava-se nas classes D e E (com renda de até 3 salários mínimos) abrangendo 52,8% das pessoas entrevistadas. No Moda Center essa proporção representava 60,1% dos compradores. A classe C (com renda familiar de 3 a 5 salário mínimos), abrangeu 30,5% dos compradores, com a maior parcela destes anotada no parque das Feiras (36,2%) enquanto o Polo Caruaru contou com praticamente 1/3 das pessoas nesse estrato de rendimento comprando no local, ao passo que no Moda Center essa proporção foi menor do que ¼ dos entrevistados (23,0%). As menores proporções de compradores dos Centros de Compras encontravam-se nas classes A e B (com rendimentos de mais de 5 salários mínimos), tendo a representação de 16,6% dos compradores no geral, com parcelas iguais de 17,1% no Polo Caruaru, 16,9% no Moda Center e 15,7% no Parque das Feiras. No que se refere ao nível educacional dos compradores dos Centros de Compras nota-se uma situação relativamente razoável na escolaridade das pessoas entrevistadas, onde 19,3% informaram possuir nível superior, entre os quais 1,0% com nível de pós-graduação, enquanto 9,1% têm curso técnico. Pouco mais da metade das pessoas detêm o ensino médio (51,7%) enquanto 17,9% disseram ter o ensino fundamental e apenas 1,3% se declararam analfabetos.
A melhor situação de escolaridade foi registrada no Polo Caruaru onde 38,4%
É significativa a parcela de pessoas do gênero feminino entre os compradores dos Centros de Compras entrevistados (64,6%) contra 35,4% do gênero masculino. Essa diferença de compradores por gênero é mais acentuada no Polo Caruaru, onde as parcelas representaram no primeiro caso 70,5% e no gênero masculino 29,5%. Isso pode ser explicado pelo fato de nesse Centro de Compras a maioria dos compradores adquirirem as mercadorias para consumo familiar. No Parque das Feiras essa diferença também se mostrou significativa (69,5% contra 30,4%). Já no Moda Center, onde a maioria dos entrevistados alegaram adquirir os produtos para revender, a parcela de compradores do gênero masculino subiu para 44,4% enquanto as mulheres representavam 55,6%.
EMPREENDEDORES
Boas perspectivas para as vendas do Fim de Ano
Os empreendedores dos Centros de Compras do Polo de Confecções estão otimistas em relação ao desempenho nas vendas do final de ano de 2013: 46,9% dos empreendedores consultados fizeram uma previsão de que o faturamento na época natalina de 2013 deverá superar o do mesmo período do ano anterior. Porém, segundo o mesmo levantamento da Federação do Comércio de Pernambuco (Fecomércio-PE), deve-se ressaltar que é significativa a proporção dos que prevêem queda no faturamento (28,1%), superior a daqueles que acreditam que, no mínimo, as vendas manterão o mesmo desempenho de 2012 (1/4 dos entrevistados). De certa forma as expectativas confirmam o padrão histórico de melhoria nas vendas do varejo no último trimestre do ano por conta da proximidade das festividades do Natal.
Os empreendedores do Parque das Feiras são os que estão mais otimistas quanto ao desempenho dos seus negócios neste final de ano em relação às vendas no mesmo período de 2012: entre os consultados durante a pesquisa nesse Centro de Compras, 50,4% apontam o crescimento do faturamento, 29,9% acreditam na manutenção do nível de faturamento em relação ao fim do ano de 2012, enquanto os que esperam queda nas vendas representam 19,7%.No Polo Caruaru metade dos entrevistados (50,2%) prevê que o faturamento na época natalina de 2013 deverá superar o do mesmo período do ano anterior. Por sua vez, 30,6% acreditam que, no mínimo, as vendas manterão o mesmo desempenho de 2012, ao passo que os que acham que irão ter queda no faturamento representam somente 19,2%.
Já entre os empreendedores do Moda Center observa-se certo equilíbrio entre as respostas otimistas e pessimistas: para 41,3% dos entrevistados a previsão é de que vai haver crescimento do faturamento, enquanto 42,3% presumem que as vendas deverão sofrer diminuição quando comparadas com as do fim de ano de 2012, ao passo que 16,3% acham que o nível de faturamento deve ser mantido.
Sondados acerca do comportamento esperado do faturamento ao longo de todo o ano de 2013 em relação ao ano de 2012, as expectativas dos empreendedores dos Centros de Compras do Polo de Confecções não são muito satisfatórias. Embora esperem crescimento até certo ponto significativo nas vendas do final do ano 2013 em comparação com o mesmo período de 2012, observa-se, ao comparar o faturamento acumulado previsto para o ano corrente em relação ao do ano passado, que é expressiva a proporção dos empreendedores que estimam redução nas vendas (47,0%). Essa proporção é bastante superior à parcela dos que sugerem crescimento (pouco menos de 1/3 dos entrevistados, ou seja, 31,1%), enquanto para 21,9% o desempenho acumulado deverá ser o mesmo.
Analisando-se as expectativas dos empreendedores por Centro de Compras, verifica-se que as perspectivas menos otimistas foram as dos empresários do Parque das Feiras, onde mais da metade dos entrevistados (50,4%) fizeram previsão de redução no faturamento acumulado de 2013 comparado com o de 2012, enquanto 27,5% dos entrevistados acreditam que irão vender mais e 22,1% esperam manter o nível de faturamento.Para 47,3% dos entrevistados do Polo Caruaru o faturamento de 2013 deverá se reduzir. Por outro lado, 29,5% dos empresários esperam que ocorra um crescimento das vendas, enquanto 23,2% acham que o desempenho será o mesmo.
Por outro lado, as expectativas menos pessimistas referentes ao acumulado do ano de 2013 com relação a 2012 foram apontadas pelos empreendedores do Moda Center, exatamente o Centro de Compras com maior volume previsto de compras na perspectiva dos consumidores. Nesse Centro de Compras, 44,0% dos entrevistados sugerem queda no faturamento de 2013 comparado com o de 2012, mas aqueles que consideram que vai haver aumento atingem a proporção de 35,3% enquanto os que esperam manter o mesmo volume de vendas chegam a 20,7%.
Deve-se destacar que, na ótica dos empreendedores dos Centros de Compras do Polo de Confecções, as estimativas de desempenho do faturamento no Fim do Ano 2013 em relação ao mesmo período de 2012 é a antítese das vendas acumuladas no ano de 2013 em relação a 2012. No primeiro caso as expectativas apontam para um crescimento médio de 4,0%, com perspectiva mais otimista entre os entrevistados do Polo Caruaru (6,4% de incremento nas vendas de Fim de Ano), enquanto no Parque das Feiras correspondeu a 4,3% e no Moda Center foi estimado em 1,7%.
Já no comparativo do acumulado anual de 2013 em relação ao ano anterior, a previsão é de redução no patamar de 5,3% para os Centros de Compras pesquisados, proporção mais acentuada no Parque das Feiras, onde os empreendedores estimaram queda de 6,4%, enquanto no Polo Caruaru a queda esperada é de 6,0% e no Moda Center a diminuição prevista nas vendas é de 3,9%.
Vale ressaltar que o desempenho negativo esperado pelos empreendedores reflete o comportamento vacilante da economia, onde pesam significativamente questões conjunturais, a exemplo da intensificação da inflação, da elevação da taxa de câmbio e do encarecimento do crédito. Ademais, é preciso levar em conta os efeitos da estiagem, que tem castigado a região no último ano, causando profundos prejuízos na economia local e que no cômputo geral contribuem para a perda de força do consumo familiar, com reflexos diretos sobre o Polo de Confecções .
O principal empecilho ao bom desempenho dos empreendedores em geral dos Centros de Compras do Polo de Confecções foi a concorrência de produtos chineses e de outros centros produtores de roupas, apontado por 45,1% dos entrevistados como a maior dificuldade para os negócios locais. A longa estiagem que assola a região e que ainda continua a causar prejuízos à economia local não poderia deixar de ser uma das principais dificuldades apontadas pelos entrevistados para o bom desempenho dos negócios (43,6% das respostas).
Também foi significativa a proporção de empreendedores que apontou a inflação como um dos obstáculos enfrentados pelos estabelecimentos do Polo de Confecções para aumentar as vendas, cuja propensão de intensificação vem se tornando na principal vilã do consumo das famílias, responsabilizando-se pela diminuição da demanda (dificuldade sugerida por 35,5% dos empreendedores). A insegurança foi outro fator indicado (28,7%), sendo ainda mencionado como motivo de impedimento de crescimento das vendas o acesso aos Centros de Compras, sugerido por 28,2% dos entrevistados em geral.
Para os empreendedores do Polo Caruaru os principais vilões foram a seca e a acessibilidade ao Centro de Compras, apontados por respectivamente 56,1% e 55,7% dos empreendedores. Os entrevistados no Parque das Feiras indicaram como maiores empecilhos ao desempenho dos negócios a insegurança (60,2% das respostas) e a concorrência tanto dos produtos chineses quanto de outros centros produtores (52,0%). Por sua vez, os empreendedores do Moda Center ressaltaram que as dificuldades por eles enfrentadas para melhorar as vendas se deviam à concorrência, tanto de produtos provenientes da China quanto originários de outros centros de compras, fator apontado por praticamente metade dos entrevistados (49,5%), bem como a seca, apontada por 34,6% dos empreendedores locais.
“Produtos vendidos possuem alto componente local”
Como pode-se ver no levantamento da Fecomércio cerca 31,3% de todos os empreendedores entrevistados no Polo de Confecções possuem lojas no Moda Center, seguido pelos que têm lojas no Polo Caruaru (26,0%) enquanto no Parque das Feiras essa parcela é de 19,3%.
A maioria dos empreendedores entrevistados no Polo Caruaru possui lojas apenas nesse Centro de Compras (82,4%), enquanto 17,6% têm estabelecimentos em outros municípios da região. Nessa segunda situação, 47,4% das lojas localizam-se em Toritama e 42,1% em Santa Cruz do Capibaribe, além de unidades em Surubim, Altinho, Gravatá e São Caetano.
No Parque das Feiras 63,9% dos empreendedores consultados possuem lojas somente nesse Centro de Compras, o que influencia no contato comercial que seus estabelecimentos mantêm com fornecedores fora do Polo de Confecções. Pouco mais de 1/3 dos empreendedores (36,1%) têm lojas em outras cidades, as quais 44,3% localizam-se em Caruaru e 67,0% encontram-se em Santa Cruz do Capibaribe.
Quanto ao Moda Center 81,9% dos entrevistados têm estabelecimentos apenas no município deSanta Cruz do Capibaribe, daí a razão da significativa proporção de lojistas que fabricam seus produtos adquirirem a matéria-prima no próprio município, o que contribui para baratear os custos de produção.Entre os empreendedores que possuem lojas em outros municípios, equivalentes a 18,1% das pessoas pesquisadas nesse Centro de Compras, a maior parcela desses estabelecimentos está em Caruaru (55,4%) enquanto pouco mais de 1/3 localizam-se em Toritama, registrando-se ainda unidades comerciais nos municípios pernambucanos de Garanhuns, Parnamirim e Recife, bem como em cidades do Ceará, Alagoas e Bahia.
CONTRATAÇÃO – Apesar da boa expectativa de desempenho prevista pelos empreendedores dos Centros de Compras do Polo de Confecções no que diz respeito às vendas na época natalina de 2013, que historicamente é o período em que o varejo mais contrata mão-de-obra temporária, observou-se que somente 37,2% dos entrevistados disseram ter essa pretensão.
A previsão de contratar esse tipo de trabalhador é maior no Polo Caruaru, mesmo assim externada por menos da metade dos entrevistados (48,2%).No Parque das Feiras a contratação de mão-de-obra temporária com o objetivo de atender o movimento de compradores no final de ano foi aventada por 44,3% dos empreendedores, enquanto no Moda Center mais de ¾ dos entrevistados declararam a intenção de não contratar mão de obra temporária para o final de ano (77,6%).
Uma das características dos micronegócios, como é o caso da maioria dos empreendimentos dos Centros de Compras do Polo de Confecções, é o uso limitado de ferramentas de informática nos estabelecimentos, principalmente como uma das formas de obterem conhecimentos sobre o ambiente de negócios, conhecerem as especificidades e as exigências do mercado consumidor, da concorrência, as novidades do mercado, as novas formas de gestão, o uso de tecnologias etc. Mesmo assim, nota-se que a internet, uma das principais ferramentas da informática, ainda não é bastante utilizada, como deveria, pelos empreendedores desse Polo. Observa-se que menos de 1/3 dos estabelecimentos (29,1%) fazem uso desse instrumento.
A maior proporção de empreendedores que lança mão dessa ferramenta foi observada no Polo Caruaru, onde 37,6% dos empreendedores têm essa prática. No Parque das Feiras o uso da internet é praticado por 27,5% dos empreendedores, enquanto no Moda Center a proporção de entrevistados que não utilizam essa ferramenta é expressiva, conforme indicação de 76,7% das pessoas.Entre os que usam a internet como ferramenta de trabalho, 63,0% informou utilizá-la como um meio para divulgação e propaganda do seu negócio. Foi também significativa a indicação do uso desse instrumento para pesquisar novos produtos e modelos, o que ocorre com 1/3 dos empreendedores entrevistados que utilizam a internet. Por sua vez, 20,4% dos empreendedores buscam a internet como uma forma de incrementar as vendas.
FORMAS DE ATRAIR – Apesar do baixo uso da internet como instrumento para melhorar as vendas, observa-se que é significativa a proporção de empreendedores dos Centros de Compras do Polo de Confecções que lançam mão de estratégias de vendas para estimular a comercialização (57,6%). Essa proporção é maior no Polo Caruaru, com mais de 2/3 dos entrevistados utilizando esse tipo de estratégia para alavancar o faturamento dos negócios (69,4%). No Moda Center a parcela de pessoas que lança mão desse artifício para incrementar as vendas corresponde a 56,0% enquanto no Parque das Feiras essa proporção é de 47,5%.
Entre as estratégias mais utilizadas pelos empreendedores para aumentar as vendas, destacam-se os descontos para pagamento à vista (65,2% dos empreendimentos) e a realização de promoções, sugerida por 47,7% dos entrevistados. É também significativa a estratégia de ampliar a oferta da variedade de produtos visando aumentar o faturamento, com 46,3% dos empreendedores lançando mão desse artifício. Entre as estratégias utilizadas, nota-se que já existe um embrião na visão de alguns empreendedores ao sugerirem o uso de novas práticas administrativas visando uma gestão mais moderna (3,1% dos entrevistados apontaram nessa direção, enquanto apenas 2,2% insistem na tática de sortear prêmios.
A estratégia de descontos para pagamento das compras à vista é mais usada no Parque das Feiras (75,0% dos empreendedores) e menos praticada no Moda Center (51,1%), ao passo que no Polo Caruaru é feita por 69,4% dos entrevistados. As promoções são mais comuns no Parque das Feiras e no Polo Caruaru, com aproximadamente 2/3 dos empreendedores lançando mão dessa manobra, enquanto no Moda Center apenas 18,8% a utilizam. Nesse último Centro de Compras o meio preferido pelos empreendedores para atrair a clientela é investir na ampliação da variedade dos produtos, estratégia utilizada por 55,3% dos entrevistados, ao passo que no Polo Caruaru e no Parque das Feiras essa parcela corresponde, respectivamente, a 44,3% e 39,3%.
ASPECTOS METOLÓGICOS – Nos dias 9 a 13 de setembro o Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomercio-PE, em convênio com o Sebrae-PE, executou a pesquisa de campo junto a 255 empreendedores do Polo Caruaru e com 244 do Parque das Feiras em Toritama. A Sondagem no Moda Center de Santa Cruz do Capibaribe foi realizada entre os dias 21 e 23 de setembro, sendo entrevistados 309 empreendedores. Ao todo foram aplicados 808 questionários com empresários/gestores nos três municípios principais do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco.